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Plano B surge da vontade de mudar

Estamos vivendo um momento de profundas transformações no mercado de trabalho. Uma análise da consultoria Ernest & Young mostra que até 2025 um em cada três postos de trabalho devem ser substituídos por tecnologias inteligentes. Precisamos correr contra o tempo e buscar alternativas, buscar um plano B?

Muito mais do que buscar um plano B é ter a vontade de mudar. O primeiro passo é se ver dentro de um novo movimento de vida, de carreira. Eu sempre fui apaixonada pelo empreendedorismo. Por tudo que representa para as pessoas e o retorno que gera para a economia. O Rio Grande do Sul tem 1,9 milhão de empreendedores, como mostra pesquisa do Sebrae-RS. Ter o próprio negócio é o quarto maior sonho do gaúcho, superando o “Fazer carreira em uma empresa”.

O empreendedorismo está em nossa volta, mas deixar um emprego de anos e arriscar em um mercado recessivo é o primeiro questionamento. O livro “Vai Lá e Faz”, de Tiago Mattos, um dos fundadores da Perestroika, Escola Livre de Atividades Criativas, traz um estudo interessante com três fatores que precisam estar em sintonia para você se sentir à vontade para arriscar.

O primeiro é a memória afetiva. Ela está relacionada à segurança, o apoio da família e dos amigos. O segundo é o econômico. Não é um fator de impedimento de seguir adiante, mas é preciso entender o negócio, administrar, garantir capital de giro, sair da crença do ter para ser. E o terceiro é a competência para fazer o negócio acontecer. Identifiquei-me com esses pontos chaves. Eles estão alinhados com o meu momento, com a decisão de mudar e seguir por novos caminhos.

Em reunião com uma headhunter, ela perguntou: você saiu sem um plano B? Naquele momento, percebi que não tinha pensado nisso. E precisava? Esta especialista em transição profissional desenhou um gráfico para falar desse plano B, que numa linha reta acompanha o plano A paralelamente. Em algum momento, o plano B se descola e sobe sozinho. É aí que devemos tomar a decisão e partir para o novo.

Na verdade, para se chegar ao plano B tem um caminho íngreme, de difícil travessia. Acredito que ter clareza do seu momento de mudança e tudo que isso representa, em termos de estratégia de transformação pessoal e de atuação no mercado, antecede um plano B específico. Afinal, a perspectiva de não ter salário garantido no final do mês é assustadora para todos e provoca o pé no freio perante qualquer alteração brusca. Por isso, a necessidade de ações que misturem coração e mente.

Tudo que provoca medo preferimos evitar, pois idealizamos uma eterna zona de conforto que não existe. Às vezes, simplesmente, podemos optar por um período de transição, sabático, que ajude a repensar a carreira. O certo é que as decisões tomadas com ou sem plano A, B ou C específicos provocam novos desafios na busca de mais qualidade de vida. E devemos ter coragem e resiliência.

Publicado no Jornal do Comércio: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/ge/artigos/2018/07/636606-plano-b-surge-da-vontade-de-mudar.html